Programa de Melhoria de Resultados

Guia prático em 10 passos para a operação supermercadista

1) A Natureza do Negócio (A Equação Básica)

O primeiro passo é consciencializar sobre como o lucro é produzido no supermercado. Utiliza-se uma folha de cálculo simples e objetiva para simular ganhos e perdas nas diferentes parcelas do negócio, demonstrando visualmente o impacto direto de cada variável no lucro operacional, que é a última linha do balanço.

2) Causa e Efeito na Operação

O segundo passo deve focar em prevenir ações que desequilibrem o sistema. É necessário avaliar antecipadamente se uma iniciativa de melhoria numa área não prejudicará outra. As parcelas são intimamente ligadas e devem ser tratadas de forma sistémica para que o resultado final seja efetivamente melhorado e não distorcido.

3) A Cultura da Medição

O terceiro passo estabelece a premissa de que "o que não é medido, não será gerido". Implementa-se a medição permanente da operação através de diversos indicadores. Reconhece-se que, na equação básica, as Vendas são mais fáceis de medir, as Despesas exigem um bom plano de contas e orçamento, e o LUCRO BRUTO é o grande desafio a ser monitorizado.

4) Busca pela Produtividade

O quarto passo visa otimizar os recursos e o capital de giro. O foco é fazer mais e melhor com os mesmos recursos materiais e humanos disponíveis. É fundamental comparar os índices da loja com os divulgados pelas entidades do setor na região para vislumbrar o real potencial de melhoria na produtividade.

5) As Regras Básicas de Gestão

O quinto passo define as regras de ouro da execução empresarial. É imperativo estipular OBJETIVOS, traçar METAS, desenhar PLANOS e, principalmente, nomear os RESPONSÁVEIS por fazer cada etapa acontecer, evitando ficar apenas pelos "entretantos" sem chegar aos "finalmentes".

6) Acompanhamento de Rentabilidade (LBF)

O sexto passo contorna a dificuldade de medição do Lucro Bruto sem ter de esperar pela contabilidade. Utiliza-se o conceito de Lucro Bruto de Feirante (LBF) para acompanhar diariamente, de forma não convencional mas muito fiável, a diferença exata entre o que foi comprado e o que foi vendido.

7) Inventários e Contrôle de Perdas

O sétimo passo aborda o que o indicador diário de rentabilidade (LBF), sózinho, não consegue apurar. Inventários não são simples, então o programa sugere um método prático e barato para avaliar INDICADORES DE PERDAS/QUEBRAS, que é a comparação entre sua MARGEM DE MARCAÇÃO (no preço de Venda) e o LBF do SKU: se você marcou uma margem de 30% porque o LBF está sendo 20%??? Nestes casos vale realizar inventários parciais com alta acuidade para mensurar as perdas e quebras ocorridas no recebimento, na retaguarda ou na loja, daquele SKU.

8) Gestão do Capital de Giro e Estoques

O oitavo passo foca-se em garantir a saúde financeira e o fluxo de caixa, especialmente em períodos de taxas de juros elevadas. É vital monitorizar o tempo de permanência (giro) dos estoques. A folha de cálculo de orçamento de vendas e compras é crucial para sincronizar os recebimentos e os pagamentos.

9) A Resultante Financeira Diária

O nono passo implementa uma "trava de segurança": avaliar todos os dias o saldo bancário sob a ótica de liquidação. Em suma: se pagasse tudo o que deve e vendesse tudo o que tem hoje, quanto sobraria? Isto diagnostica se a empresa está a fabricar liquidez ou a consumir-se a si própria.

10) Gestão Bidimensional de Categorias

O décimo passo é a classificação estratégica do sortimento da loja, cruzando a importância de cada SKU em termos de Vendas com o Lucro Bruto de Feirantes (LBF). Esta rotina baseada numa matriz bidimensional deve ser desenvolvida e integrada pelo fornecedor do ERP da loja, como já foi implementado por sistemas como StarTwo e RP Informática no ES.

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