Guia prático em 10 passos para a operação supermercadista
O primeiro passo é consciencializar sobre como o lucro é produzido no supermercado. Utiliza-se uma folha de cálculo simples e objetiva para simular ganhos e perdas nas diferentes parcelas do negócio, demonstrando visualmente o impacto direto de cada variável no lucro operacional, que é a última linha do balanço.
O segundo passo deve focar em prevenir ações que desequilibrem o sistema. É necessário avaliar antecipadamente se uma iniciativa de melhoria numa área não prejudicará outra. As parcelas são intimamente ligadas e devem ser tratadas de forma sistémica para que o resultado final seja efetivamente melhorado e não distorcido.
O terceiro passo estabelece a premissa de que "o que não é medido, não será gerido". Implementa-se a medição permanente da operação através de diversos indicadores. Reconhece-se que, na equação básica, as Vendas são mais fáceis de medir, as Despesas exigem um bom plano de contas e orçamento, e o LUCRO BRUTO é o grande desafio a ser monitorizado.
O quarto passo visa otimizar os recursos e o capital de giro. O foco é fazer mais e melhor com os mesmos recursos materiais e humanos disponíveis. É fundamental comparar os índices da loja com os divulgados pelas entidades do setor na região para vislumbrar o real potencial de melhoria na produtividade.
O quinto passo define as regras de ouro da execução empresarial. É imperativo estipular OBJETIVOS, traçar METAS, desenhar PLANOS e, principalmente, nomear os RESPONSÁVEIS por fazer cada etapa acontecer, evitando ficar apenas pelos "entretantos" sem chegar aos "finalmentes".
O sexto passo contorna a dificuldade de medição do Lucro Bruto sem ter de esperar pela contabilidade. Utiliza-se o conceito de Lucro Bruto de Feirante (LBF) para acompanhar diariamente, de forma não convencional mas muito fiável, a diferença exata entre o que foi comprado e o que foi vendido.
O sétimo passo aborda o que o indicador diário de rentabilidade (LBF), sózinho, não consegue apurar. Inventários não são simples, então o programa sugere um método prático e barato para avaliar INDICADORES DE PERDAS/QUEBRAS, que é a comparação entre sua MARGEM DE MARCAÇÃO (no preço de Venda) e o LBF do SKU: se você marcou uma margem de 30% porque o LBF está sendo 20%??? Nestes casos vale realizar inventários parciais com alta acuidade para mensurar as perdas e quebras ocorridas no recebimento, na retaguarda ou na loja, daquele SKU.
O oitavo passo foca-se em garantir a saúde financeira e o fluxo de caixa, especialmente em períodos de taxas de juros elevadas. É vital monitorizar o tempo de permanência (giro) dos estoques. A folha de cálculo de orçamento de vendas e compras é crucial para sincronizar os recebimentos e os pagamentos.
O nono passo implementa uma "trava de segurança": avaliar todos os dias o saldo bancário sob a ótica de liquidação. Em suma: se pagasse tudo o que deve e vendesse tudo o que tem hoje, quanto sobraria? Isto diagnostica se a empresa está a fabricar liquidez ou a consumir-se a si própria.
O décimo passo é a classificação estratégica do sortimento da loja, cruzando a importância de cada SKU em termos de Vendas com o Lucro Bruto de Feirantes (LBF). Esta rotina baseada numa matriz bidimensional deve ser desenvolvida e integrada pelo fornecedor do ERP da loja, como já foi implementado por sistemas como StarTwo e RP Informática no ES.