Estoques, Liquidez e Capital de Giro

Gerenciamento de permanência para uma performance financeira sadia

1) A Dinâmica de Caixa do Supermercado

Alguns negócios, como supermercados, são altamente geradores de caixa, ainda que não necessariamente de lucro. A liquidez corrente no setor normalmente está em volta de 1,00, significando que para cada real exigível no curto prazo, a empresa terá R$ 1,00 no seu disponível.

O setor tem um prazo médio de vendas curto (quando há antecipação de cartões, além do dinheiro), enquanto o prazo médio de compras gira em torno de 23 a 26 dias. Isto indica que, em regra, as empresas supermercadistas são financiadas por seus fornecedores, cenário que se intensifica conforme o porte da empresa.

2) O Impacto do Tempo de Permanência (TP)

Outra variável que influencia fortemente a liquidez é o Tempo de Permanência (TP) dos estoques. Se a empresa tem 30 dias de vendas em estoque, seu giro será de 12 vezes ao ano. Se os estoques cobrirem 60 dias, o giro cai para 6 vezes ao ano. Portanto, quanto maior o giro, menor o TP e potencialmente maior a liquidez corrente.

Como os juros no Brasil são historicamente elevados, o giro de estoques deve receber cuidado especial. O ideal, em princípio, é que o tempo de permanência seja igual ou menor do que o prazo médio de compras.

3) Fatores Incontroláveis na Gestão

Existem fatores que complicam as metas de giro, como a distância em relação aos centros de produção dos produtos revendidos e o tempo de transporte após a emissão da NF.

Volumes mínimos de compras exigidos pela indústria também obrigam lojas menores a suportar um TP mais longo. Nestes casos, atacadistas e distribuidores podem ser uma opção para melhorar o giro, embora isso aumente o CMV (Custo da Mercadoria Vendida), pois o custo será maior que o da indústria.

4) Calculando o TP Projetado

A evolução do faturamento impacta diretamente no indicador de TP: se as vendas andam abaixo do previsto, o estoque ficará superdimensionado. Para sinalizar os ajustes necessários, utiliza-se a venda média diária.

Fórmula Prática: Divide-se o valor do estoque pelo valor da venda média diária do mês em curso. Ambos os valores devem ser computados pelo mesmo critério (ou ambos a preço de custo, ou a preço de venda).

Exemplo: Estoque de R$ 1.200.000,00 dividido por Venda Diária de R$ 33.000,00 = TP de 36,36 dias. Se a meta era 30 dias, a empresa precisa reduzir seu estoque presente em R$ 230.000,00 (6,36 dias em excesso).

5) CMV vs. Giro e o Risco de Ruptura

Empresas mais capitalizadas podem preferir sacrificar o giro (aumentar o TP) para comprar lotes maiores e REDUZIR O CMV através de preços mais baixos. Por outro lado, acelerar demais o giro sem planejamento traz o risco de ruptura. Não adianta buscar giro rápido e perder vendas por falta de produtos.

Em suma, não existe uma política única: a posição de liquidez e o capital de giro próprio determinam a folga e a filosofia de compras de cada empresa. Contudo, quanto mais confiáveis as informações de seu ESTOQUE REAL, no ERP, mais simples será administrar essa variável vital.

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