Gerenciamento de permanência para uma performance financeira sadia
Alguns negócios, como supermercados, são altamente geradores de caixa, ainda que não necessariamente de lucro. A liquidez corrente no setor normalmente está em volta de 1,00, significando que para cada real exigível no curto prazo, a empresa terá R$ 1,00 no seu disponível.
O setor tem um prazo médio de vendas curto (quando há antecipação de cartões, além do dinheiro), enquanto o prazo médio de compras gira em torno de 23 a 26 dias. Isto indica que, em regra, as empresas supermercadistas são financiadas por seus fornecedores, cenário que se intensifica conforme o porte da empresa.
Outra variável que influencia fortemente a liquidez é o Tempo de Permanência (TP) dos estoques. Se a empresa tem 30 dias de vendas em estoque, seu giro será de 12 vezes ao ano. Se os estoques cobrirem 60 dias, o giro cai para 6 vezes ao ano. Portanto, quanto maior o giro, menor o TP e potencialmente maior a liquidez corrente.
Como os juros no Brasil são historicamente elevados, o giro de estoques deve receber cuidado especial. O ideal, em princípio, é que o tempo de permanência seja igual ou menor do que o prazo médio de compras.
Existem fatores que complicam as metas de giro, como a distância em relação aos centros de produção dos produtos revendidos e o tempo de transporte após a emissão da NF.
Volumes mínimos de compras exigidos pela indústria também obrigam lojas menores a suportar um TP mais longo. Nestes casos, atacadistas e distribuidores podem ser uma opção para melhorar o giro, embora isso aumente o CMV (Custo da Mercadoria Vendida), pois o custo será maior que o da indústria.
A evolução do faturamento impacta diretamente no indicador de TP: se as vendas andam abaixo do previsto, o estoque ficará superdimensionado. Para sinalizar os ajustes necessários, utiliza-se a venda média diária.
Fórmula Prática: Divide-se o valor do estoque pelo valor da venda média diária do mês em curso. Ambos os valores devem ser computados pelo mesmo critério (ou ambos a preço de custo, ou a preço de venda).
Exemplo: Estoque de R$ 1.200.000,00 dividido por Venda Diária de R$ 33.000,00 = TP de 36,36 dias. Se a meta era 30 dias, a empresa precisa reduzir seu estoque presente em R$ 230.000,00 (6,36 dias em excesso).
Empresas mais capitalizadas podem preferir sacrificar o giro (aumentar o TP) para comprar lotes maiores e REDUZIR O CMV através de preços mais baixos. Por outro lado, acelerar demais o giro sem planejamento traz o risco de ruptura. Não adianta buscar giro rápido e perder vendas por falta de produtos.
Em suma, não existe uma política única: a posição de liquidez e o capital de giro próprio determinam a folga e a filosofia de compras de cada empresa. Contudo, quanto mais confiáveis as informações de seu ESTOQUE REAL, no ERP, mais simples será administrar essa variável vital.