REPOSITORES.

1. O mundo do Supermercado: quem somos e qual nossa função junto à comunidade?

Atualmente, nas cidades de médio e grande porte, pelo menos, os supermercados são tão importantes quanto hospital, escolas, praças, igrejas, áreas públicas de lazer, Shoppings Centers, etc. São, na verdade, equipamentos urbanos obrigatórios. Isto porque os supermercados constituem o tipo de varejo mais eficiente para a população, no ramo de generos alimentícios e não-alimentícios de grande consumo. São os mais baratos, os de maior higiene, os mais rápidos no atendimento ao consumidor, os que mais respeitam as leis e regulamentos, os que oferecem maiores vantagens pelo menor custo. Aliás, exatamente por satisfazer plenamente aos interesses dos consumidores é um setor que continua crescendo, com grande disputa entre as lojas!

As empresas supermercadistas já enfrentam concorrência de empresas estrangeiras há muito tempo. A maior empresa do setor é francesa. E a concorrência das empresas brasileiras também é muito acirrada, pois cada vez existem lojas mais perto umas das outras, facilitando a escolha por parte do consumidor, que pode optar pela que mais lhe convem.

Os supermercados já foram considerados os "vilões" da inflação: no plano Cruzado, na época do Presidente Sarney, muitos empresários e gerentes foram presos quando alguém poderoso assim o desejasse. Mesmo com todos os controles governamentais, contudo, a inflação explodiu. Atualmente, o Brasil tem uma inflação muito baixa e não há nenhum tipo de controle. Qual é a lição? Inflação não se diminui através dos preços, mas sim com políticas governamentais que eliminem gastos públicos desnecessários e mantenham a moeda com alto valor, sem excesso de oferta.

Nenhum outro tipo de comércio tem tantos clientes em suas lojas quanto os supermercados: em lojas de porte médio chegam a passar mais de cinquenta mil compradores num mês (claro que alguns vem mais de um vez ao mês na mesma loja!). Porisso os supermercados tem tanta preocupação com o consumidor, com suas necessidades e desejos. Porque este convívio intenso nos ensina a respeitá-lo e a compreender o quanto é importante cativá-lo e encantá-lo. Sem ele não existiríamos: o cliente é nosso oxigênio e nosso verdadeiro patrão.

É o cliente que traz o dinheiro para pagar as mercadorias aos fornecedores, os nossos salários, aos prestadores de serviços, os impostos e encargos governamentais, para manter a loja e equipamentos. É do que sobra deste dinheiro, depois de pagar tudo isto, que o empresário retira seu lucro, o resultado do capital que tem investido na empresa. E. normalmente, a maior parte deste lucro continua sendo reinvestido, gerando mais empregos, mais oportunidades de venda aos fornecedores, mais impostos, etc, numa contínua expansão da empresa. Isto é claro, quando ela é lucrativa, saudável: quando se consegue pagar tudo e ainda ter alguma sobra para reinvestir. É na frente de loja que a mercadoria procurada pelo cliente transforma-se neste dinheiro que move a empresa. E será nas prateleiras e nos balcões refrigerados/congelados que o cliente deverá encontrar as mercadorias que procura, na variedade e arrumação adequadas. Como veremos ao longo de nosso curso, nosso trabalho é muito importante neste ciclo.

Uma empresa supermercadista pode ter diversos tipos de lojas: pequenas, com área de vendas de até 500 m2; médias, com área de vendas entre 500 e 1.500 m2; ou grandes, com área acima de 1.500 m2. Podem ser lojas de conveniência (ou de vizinhança) quando tem uma variedade enxuta, horário elástico (as vezes trabalhando aos domingos) e alguns serviços aos clientes, como bebidas geladas, comidas prontas, revelação de fotos, etc. Pode ser um supermercado, com grande variedade de produtos alimentícios, alguma coisa de bazar, perfumaria fina, vestuário (limitado) todas as seções de perecíveis, etc. Ou um hipermercado, que tem uma grande variedade de produtos (incluindo eletrodomésticos, eletrônicos, vestuário diversificado, etc).

Em qualquer uma destas lojas, contudo, os produtos são agrupados nos seguintes setores básicos:

Açougue, Frios, Salgados e Congelados, Hortifruti, Padaria e Peixaria (quando houver) são setores de um departamento chamado de PERECÍVEIS. Porque são produtos de vida mais curta do que os demais da loja. Eles, normalmente, são colocados ao fundo da loja. São produtos de compra quase que diária e, porisso mesmo, são muito importantes para a fidelização do cliente, isto é, para criar o hábito do cliente vir sempre à nossa loja. Ficam expostos em balcões refrigerados, congelados ou quentes (caso de alimentos prontos), ou em vascas, como são chamados os expositores de verduras e frutas. São setores com utilização muito grande de atendimento pessoal aos clientes, através dos Balco nistas, função que analisaremos mais adiante.

Os produtos de MERCEARIA e NÃO-ALIMENTOS são expostos em gôndolas e colocados no chamado salão da loja. São produtos de vida mais longa, conservação mais simples, porém também tem prazos de validade que precisam ser observados, após os quais não podem mais ser vendidos.

O depósito da loja é onde permanece o estoque para resuprimento da área de vendas, até sua reposição pelo fornecedor ou depósito central. O escritório, com as funções administrativas da loja pode se localizar na frente, nos fundos ou em um pavimento superior. E a Frente de Loja é o setor onde ficam os caixas, guarda-volumes, vasilhames, compras para entrega domiciliar, etc.

É claro que isto varia de empresa para empresa, mas, de um modo geral este é o agrupamento que se faz das mercadorias que vendemos neste ramo de comércio e o modo de distribuir os diversos setores.

As lojas são organizadas como qualquer empresa, tendo um Gerente que dirige o grupo de funcionários, que se dividem naqueles setores citados acima, mais as funções de apoio, como Depósito e Administração.

Algumas destas lojas são de maior porte, podendo dispor de refeitório para os funcionários e até pequena área de lazer para os descansos. Vestiários para trocar-se de roupa e vestir o uniforme, normalmente tem armários para guardar nossas coisas. É muito importante que estes armários não sejam utilizados para guardar qualquer coisa que naõ seja nosso, para evitar-se confusões com a segurança da loja. Informe-se dos procedimentos para guardar escova de dentes, pasta dental, escovas e pentes, desodorantes, lanches, etc.

2. O Salão de Vendas: como é nosso ambiente de trabalho?

A venda das mercadorias dos setores localizados no chamado "salão de vendas" (mercearia, bazar, perfumaria, higiene/limpeza, bebidas, etc) pode representar até 60 % do total da loja. Evidentemente será menor em um hipermercado (por causa de eletrodésticos, etc) mas poderá chegar a isto num supermercado de vizinhança. Portanto, trabalhamos em um setor de muita importância no resultado final da loja. Estas mercadorias são expostas em gôndolas (metálicas ou de madeira), em estrados ou em displays especiais (de papelão, aramados ou de madeira). Embora sejam de tempo de vida mais longo do que os produtos chamados perecíveis, também tem um prazo de duração, contado a partir da data de sua fabricação.

Os produtos do salão, normalmente, são comprados em períodos mais espaçados pelos clientes, até pelo fato de poderem ser armazenados por mais tempo. Talvez porisso mesmo, são chamados de "linha seca". São produtos iguais em todas as lojas, havendo apenas diferença na variedade de cores, sabores, tamanhos, aromas, etc. O preço é o fator mais utilizado para se atrair clientes para estes produtos, além, é claro, da variedade oferecida pela loja. Porém, muitas vezes, mesmo a loja trabalhando com inúmeros produtos, eles não são encontrados nas prateleiras. A explicação para isto chama-se: problemas de suprimento!

O que significa que é preciso acompanhar muito a venda de cada produto, seu estoque na gôndola e no depósito (e no depósito central, quando for o caso), para se determinar o ponto exato de efetuar outro pedido, ou, como se diz técnicamente, o ponto de ressuprimento! Cada empresa tem uma política de estocagem, ou seja, determina o tempo no qual vai guardar a mercadoria até vende-la. Algumas querem ficar com pouca mercadoria estocada, para poder girar o estoque diversas vezes ao mês. Outras preferem guardar mais mercadoria em casa, tendo estoque para diversas semanas. É muito importante se definir esta política de giro de estoques, para poder-se fazer as compras de acordo. Quando uma mercadoria, por exemplo, tem estoque para aguentar duas semanas de venda, dizemos que seu giro é de 2 vezes ao mês. Isto é: a cada 15 dias vamos renovar todo o estoque daquele ítem. Ela irá girar 24 vezes ao ano. Se, pelo contrário, a mercadoria tem estoque para aguentar 30 dias de vendas, ela gira 1 vez ao mês, ou 12 vezes ao ano.

É claro que existem mercadorias que giram muito rápido, isto é, vendem muito e o estoque precisa ser reposto com muita frequência, dentro do mês (ou até da semana), assim como existem outras que permanecem semanas nas prateleiras, até precisar fazer outra compra. Normalmente, uns 20 % dos produtos que temos à venda são responsáveis por cerca de 50 a 60 % das vendas totais da loja. São os produtos estratégicos, que não podem faltar, não podem estar mal expostos e não podem ter preços absurdos.

Os corredores da loja são planejados para dar o máximo de conforto possível aos clientes, deixando espaço para poderem passar (pelo menos 2) com seus carrinhos. Porisso mesmo, não devemos deixar neles caixas de produtos ou carros de suprimento abandonados, dificultando seu trânsito, Quando o cliente tem dificuldade para circular, fica angustiado e procura sair logo daquele corredor. Isto faz com que ele permaneça menos tempo na loja e a gente perca muitas vendas de impulso (quando o cliente tem tempo para ficar "namorando" um produto até resolver comprá-lo). Porisso, devemos fazer as tarefas que possam congestionar ou deixar os corredores tumultuados, somente naqueles dias e horários com menor movimento de clientes.

Os produtos precisam estar expostos de forma atraente e bonita, para o cliente. A empresa investe em equipamentos para expor a mercadoria adequadamente e não se pode deixá-la abandonada nas prateleiras. Assim, cada empresa possue um esquema de merchandising, ou seja, uma técnica para expor os produtos à venda, com o objetivo maior de fazer com que ela se "ofereça" aos clientes, quando eles estão passando por ela. Merchan-dising, portanto, é o estilo de arrumação dos produtos nas prateleiras, balcões, displays, etc. Como varia de empresa para empresa, é bom voce tomar informações a respeito das normas que sua empresa adota.

Outra questão importante no salão são os cartazes e cartazetes de preços e as etiquetas de preços (colocados no produto ou na prateleira, quando existir leitura de código de barras por PDVs). Este material constitui informação obrigatória aos clientes e precisa ser afixado corretamente, assim como mantido em boas condições (limpeza e visibilidade).

A limpeza e a iluminação do salão também são importantes para o envolvimento positivo do consumidor com nossa loja. Chão, prateleiras e paredes sujas são indicadores ruins para que está comprando alimentos: estão dizendo que o manuseio do produto poderá ser feito com o mesmo "cuidado" que estamos dispensando às instalações! Papéis no chão, etique-tas nas prateleiras ou no chão, caixas (abertas ou fechadas) abandonadas nos corredores, carros de suprimento em qualquer lugar, etc, são sinais de relaxamento que passam uma idéia ruim para os clientes.

Finalmente, os clientes podem precisar de alguma informação a respeito de localização de algum produto, preços, existência de outros sabores, modelos, aromas, etc, no depósito. O que significa que, eventualmente, você precisará ter algum contato com eles: trate-os com respeito e atenção, como veremos mais adiante.

3. Supridores: o que esperam de nosso trabalho?

A primeira responsabilidade que será atribuída aos supridores é a de conhecer os produtos com os quais irão trabalhar. Será difícil satisfazer os clientes, receber mercadorias com responsabilidade e zelar pala qualidade dos produtos, sem conhece-los. Evidentemente não se espera, no primeiro momento, que o recém chegado à função já saiba tudo! Mas é preciso, pelo menos, saber quais são os produtos mais vendidos, quais os cuidados no seu recebimento, armazenagem e no local de venda. São realmente muitos aspectos a considerar, para se conhecer o básico sobre os principais produtos de cada setor. Mas é muito importante que você receba estas instruções, inclusive com auxílio dos fornecedores que, muitas vezes, dispõem até de vídeos e apostilas para este treinamento.

A data de vencimento da validade do produto, quando houver, não pode ser superada. Isto é, não devemos ter produtos vencidos no salão. Quando algum estiver chegando perto desta data de validade, devemos promove-lo, negociando descontos com seu fornecedor. Outrossim, ao recebermos uma nova entrega de algum produto, devemos ter o cuidado de colocar o novo produto atrás do produto antigo, de modo a deixar a mercadoria nova sempre no final da exposição. Assim, voce precisa, permanentemente, estar avaliando as datas de validade dos produtos sob sua responsabilidade, vender sempre os mais antigos e não deixar "estourar" nenhum prazo de validade, para não perder o dinheiro desta mercadoria.

Caixas, embalagens ou sacos que acondicionam os produtos não podem ser recebidos com adulteração, rasgados, manchados, etc. Qualquer sinal de dano ao produto tem que ser visto no ato do recebimento e ali ser devolvido a quem está fazendo a entrega, mediante documentação adequada. O recebimento é uma boa ocasião para efetuarmos acerto com eventuais trocas com o fornecedor. Para tanto, estas trocas devem estar bem guardadas, identificadas e com documentação adequada. Se na sua empresa voce receber mercadorias, deve agir desta forma. No entanto, caso seja responsabilidade de outro colaborador, converse com ele a respeito destes pontos, para evitar que isto ocorra na entrada. Portanto, espera-se que os supridores/estoquistas assumam a responsabilidade da qualidade dos produtos à venda no salão, cuidando de que sua validade esteja em dia e que sua aparência corresponda a uma mercadoria em perfeitas condições de venda.

A empresa também tem a expectativa que façamos a checagem nos preços marcados para cada produto: precisam estar corretos, bem visíveis e

de acordo com o mercado. Isto significa que o preço marcado deve ser o do cadastro de mercadorias/livro de preços: auditorias devem ser feitas regularmente, para prevenir ou corrigir erros que possam ocorrer. As etiquetas (no produto ou prateleira) precisam estar bem colocadas, legíveis e em condições de não serem trocadas por outras (de menor preço).

Também devemos nos ligar no giro dos produtos, definindo um número de frentes proporcional a isto, paracada categoria de produtos. Por exemplo, se a marca A representa 50 % da venda de uma categoria, não tem sentido eu dar apenas 20 % da frente total para ela: ou faltarão produtos nos horários de pico de vendas, ou teremos que fazer muitas viagens para ressuprimento. Enquanto isto, outras marcas de menor venda, mas maior espaço na prateleira, ficarão dormindo, com estoques parados e, conse-quentemente, com dinheiro não produzindo. Logo, também devemos sugerir mudanças na definição do número de frentes de cada produto, quando o giro não corresponder ao estoque na prateleira.

Produtos solicitados pelos clientes, quando estão em falta ou não trabalhamos na loja, devem ser anotados para informarmos ao comprador correspondente ou ao gerente. Esta é uma boa forma de irmos ajustando a linha de produtos ao "gosto do fregues".

Por falar em faltas, outra de nossas responsabilidades é lutar para diminuir ao máximo a falta de produtos: não deixar faltar na prateleira, havendo no depósito e não deixar faltar no depósito, havendo no fornecedor! Quando temos atribuição de sugerir compras, devemos ter o cuidado de não solicitar quantidades além do necessário, nem quantidades muito pequenas que possam nos deixar a descoberto (com perdas de venda...).

No salão, em muitas empresas, podem trabalhar funcionários de empresas fornecedoras: promotores de vendas, demonstradores de produtos, etc. Nestes casos, devemos administrar bem estas pessoas, de modo que elas produzam o máximo de resultados para nossa empresa. Isto significa a combinação prévia das condições nas quais o serviço delas será executado: horário de entrada/saída, tipo de serviço a ser feito na loja, a obediência às normas de nossa empresa, lanches, etc. No caso de degustações, quais os procedimentos com a aquisição dos produtos utilizados, equipamento, energia, etc. Quando os serviçoes são prestados regularmente pela mesma pessoa, é conveniente solicitar uma declaração da empresa fornecedora citando o número da carteira profissional, a data de sua admissão e a oferta para que ela preste serviços em nossa loja com a especificação de carga horária de trabalho. Isto previne problemas trabalhistas que possam ser suscitados por alguém de má-fé. É muito importante que o trabalho destas pessoas seja acompanhado (por exemplo quando houver auxílio na precificação de produtos) para evitar-se erros, que, habitualmente, só favorecem o fornecedor...

Em muitas empresas, os supridores/estoquistas tem a responsabilidade dividida por corredores: cada um assume determinados corredores e todo o trabalho de suprimento, arrumação, marcação de preços, pedidos, armaze-nagem, etc, fica sob seu encargo naquele pedaço da loja. Tem a vantagem de permitir a clara definição de responsabilidades!

Mesmo que o depósito tenha um responsável, os supridores/estoquistas passam uma boa parte de seu dia dentro dele, retirando mercadorias para ser trazida para o salão. É importante que não desarrumem o depósito, bagunçando o trabalho dos outros. Deve-se deixar o ambiente em melhor estado do que encontramos!

Finalmente, se e quando houver vasilhames a serem devolvidos (por exe.: garrafas ou engradados plásticos), tome muito cuidado com a documentação: deve haver lançamento tanto do recebimento quanto da devolução.

4. Relações com os clientes e amigos: como nos comportar?

Os clientes, como já vimos anteriormente, são quem pagam nossos salários: são nossos verdadeiros patrões! Portanto, devem ser muito bem tratados, com respeito, cortesia e atenção. Respeitá-los significa tratá-los sem intimidades do tipo:"oi, tio", "é isso aí, cara!" ou "como vai, amizade?", etc. Significa que não devemos tomar liberdades com eles, que manteremos um relacionamento cordial, mas respeitoso. Cortesia quer dizer boa educação, um tratamento de quem está recebendo uma pessoa importante em sua casa: "bom dia", "boa tarde", "muito obrigado", "volte sempre", "posso ajudar em alguma coisa?", etc. E atenção para com o cliente quer dizer esforçar-se para entender o que ele deseja, descobrir o que gosta e o que não gosta. Quer dizer que faremos o possível para compreender suas expectativas! Quando algum cliente solicitar uma informação ou uma explicação, devemos nos esforçar para atende-lo adequadamente. Quando não estivermos em condições de oferecer uma resposta, somos nós quem devemos procurar um colega apto para responder e não deixarmos o próprio cliente tentando descobrir quem o possa faze-lo!

É claro que encontraremos clientes que, aparentemente, não irão valorizar este nosso comportamento. Mas, no fundo, apreciarão e preferirão ser tratados assim. Também existirão aqueles que, infelizmente, poderão ser grosseiros e mal-educados conosco. Nem porisso, no entanto, devemos modificar nossa forma de tratá-los, porque, afinal, a maioria não deverá "pagar o pato" só porque algumas pessoas estão de "mal com o mundo!". Além disto, mesmo que um cliente não esteja com a razão, sempre será a pessoa mais importante para nosso negócio!

Também precisamos ser rápidos no atendimento aos clientes, demorando o mínimo possível para aprontar seu pedido. Claro que sem "deixar nada para trás" e sem esquecer a boa educação. Mas é preciso compreender que as pessoas, atualmente, dispõem de muito pouco tempo e, porisso, querem perder o mínimo de tempo. Quando ficamos "jogando conversa fora", ao invés de atende-los, ou "fazendo corpo-mole", ficam irritadas e sentem-se arrependidas de terem vindo à nossa loja. Logo, velocidade no atendimento é algo que os clientes também esperam de nós.

Pode não ser fácil, mas precisamos separar os interesse de amigos e parentes que, eventualmente, serão clientes da loja. Não podemos "misturar" as coisas e tratá-los de modo preferencial, ou diferente dos demais. Na verdade, devemos tratar todos os clientes como se fossem nossos amigos, porém, sempre respeitando as regras da empresa e não fazendo "favorzinhos" que possam nos criar problemas com a empresa.

Em caso de insistência de algum cliente para um procedimento não permitido pela empresa, devemos solicitar a presença de um dos respon-sáveis pelo setor, para evitar-se confusão. Ao mesmo tempo, agindo assim, estaremos deixando bem clara nossa intenção de não praticar nada que não esteja de acordo com as regras.

5. Relações com os colegas: como nos comportar?

Quando se vive e trabalha em grupo, torna-se necessário respeitar certas regras, entender que a nossa liberdade termina onde começa a do outro. E, como nós passamos um terço de nossa vida trabalhando e convivendo com os colegas, é muito importante que o ambiente de trabalho seja um lugar legal, propiciando-nos muito mais momentos de alegria do que incomodação!

Devemos começar pelo "bom-dia", "olá, como vai", etc, saudando os colegas ao iniciar nossa jornada diária. Isto cria um clima mais favorável para a cooperação. Já que somos um time que busca fazer gols, isto é, produzir resultados! Ao longo do dia de trabalho, pedir "por favor", "por gentileza" ao solicitar cooperação ou determinar uma tarefa, é melhor do que uma ordem seca, mesmo para um colega subordinado a gente. O que não gostamos que façam conosco, não devemos fazer aos outros...

Fofocas, "disse-que-disse" e "estorinhas do fulano e siclana", não levam a nada, a não ser confusão e normalmente acabam em bate-boca e enfraquecimento do espírito de time, de equipe. Assim, evite este tipo de comportamento e evite "dar linha" a conversas deste tipo, porque voce já sabe como vai terminar... Por outro lado, não se omita com nada errado, mas conversando com a pessoa certa e sem tirar o corpo fora!

Respeitar a hierarquia significa saber ouvir, mas também expor nossas opiniões com tranquilidade, visando benefício da empresa e da qualidade do trabalho. Quem tem posições claras, firmes, mas sem ser intransigente, sem ser teimoso, acaba sendo mais valorizado pelos colegas e mesmo pelas chefias. Afinal, jogar para o time não significa virar "vaquinha de presépio" e dizer amém a tudo! Lembre-se, contudo, que autoridade se adquire e que as pessoas nos respeitarão quando a gente também as respeita.

6. Relações com fornecedores: como nos comportar?

Fornecedores são nossos parceiros: estão no mesmo barco, buscando consumidores para seus produtos ou nossa satisfação com os serviços que nos prestam ou equipamentos que nos vendem. No entanto, muitas vezes seus interesses não são exatamente os mesmos que os nossos. Portanto, é preciso trata-los com respeito, cortesia e atenção, mas tendo em vista sempre os interesses maiores de nossa empresa.

Muito cuidado com convites para atividades fora da rotina do trabalho. Pergunte-se sempre se o convite também seria feito se voce estivesse no lugar dele e ele no seu... No entanto, não é preciso tratar mal as pessoas apenas porque elas possam ter interesses na gente para obter esta ou aquela vantagem. Apenas conserve o espírito crítico e não se deixe "enrolar" por aparências!

Não faça nada fora das normas para agradar "fulano ou siclana". Tenha bem claro suas obrigações e não "entre em furada". Especialmente pela função que exercemos, muitas vezes até comprando produtos, ou conferindo seu recebimento na loja. De nossa atenção e seriedade na compra ou no recebimento dependerão grande parte dos resultados que nosso setor irá apresentar. Assim, é bom manter um relacionamento profissional com fornecedores e, quando existir uma amizade real, não a misturar com os negócios!

Por outro lado, pode-se aprender muito sobre produtos com eles, obter-se informações sobre o comportamento de cada produto de sua linha, sua posição nas vendas, etc, e até mesmo sobre ações da concorrência. Não esquecendo, contudo, que poderá haver manipulação nestas informações pelo fornecedor, de modo a satisfazer seus próprios interesses. É preciso separar " o joio do trigo".

7. Equipamentos sob nossa responsabilidade.

Etiquetadoras são usadas em lojas não automatizadas, muitas vezes inclusive por fornecedores. É preciso ter consciência de seu valor e cuidar para que sua vida útil seja a mais longa possível. Quando for loja automatizada, devemos ter cuidado com o equipamento do chamado "mata-burro" e com pistolas para leitura de etiquetas com código de barras. São equipamentos eletrônicos e, como tal, não gostam de umidade, de poeira, nem de trancos e solavancos...

Carros de suprimento são equipamento que nos ajudam a transportar mercadoria do depósito para o salão (há que use carrinhos de clientes, mas não se deve, porque não são muito resistentes). São relativamente pesados e, quando usados de forma irresponsável, podem causar acidentes e estragos em paredes, portas e até mesmo em mercadorias, rasgando embalagens, amassando, etc. Não se deve usá-los como carros de fórmula 1.

As gôndolas do salão e prateleiras do depósito também precisam ser bem cuidadas, tanto em limpeza quanto na sua manuyenção geral. Economizar energia também é outra expectativa da empresa em relação a nosso trabalho: apague as luzes quando não houver necessidade!

8. Aparência: higiene pessoal, cabelos, unhas, roupas.

Num supermercado, as estrelas devem ser os produtos, o equipamento, a loja como um todo. Portanto, use roupas discretas, cabelos arrumados e bem aparados, sapatos engraxados ou tenis limpos. Dentes bem escovados, desodorante discreto debaixo dos braços, colônias e perfumes leves, sem aroma marcante. Unhas bem cortadas e limpas, mãos lavadas. Mulheres com maquiagem suave (sem aquele "tchan" exagerado) e de saias com comprimento não muito curto, para evitar chamar a atenção. Homens devem estar sempre de barba feita.

Devemos zelar aparência do uniforme, lavando-o regularmente, prendendo botões, recosturando (quando for o caso) e vestindo-os apropriadamente. Quando a empresa adotar crachás, não esquece-los em casa e usá-los conforme as normas.