RECADO AOS EMPRESÁRIOS

Atualmente, ouve-se muito dos empresários do setor, especialmente de pequenos e de alguns médios, a queixa de que "não vale a pena mais ter supermercado". A violência urbana, principalmente nas zonas de menor poder aquisitivo, assustam empresários e seus familiares. As dificuldades financeiras, aliadas a uma das maiores taxas de juros do mundo, ameaçam levar para o fundo do poço anos de poupança, nem sempre muito expressiva mas sempre obtida com muito trabalho duro. O aumento na concorrência, direta ou indireta, diminui vendas e sacrifica margens brutas. As surpresas tributárias, inventadas pelos tres níveis de Governo, trazem aumento nas despesas. Custos trabalhistas crescem mais do que as vendas. E os clientes? Bem, os clientes querem sempre mais e ficam pulando de uma loja para outra, conforme as vantagens que recebem!

Por tudo isto, é compreensível a sensação de desânimo de muitos de nós. Mas também existem aqueles que estão crescendo e ganhando mais dinheiro do que no passado. E porquê? Por que estão trabalhando melhor do que antes!

Assim, é preciso primeiro definir se realmente temos vocação para este negócio, que ficará cada vez mais complicado e desafiador. Mas, caso tenhamos, devemos enfrentar todos estes desafios com a disposiçaõ de MELHORAR NOSSOS RESULTADOS. Existem alternativas diversas para isto, como veremos ao longo do trabalho, mas, para se obter sucesso, vai ser preciso muito trabalho e metodologia correta.

Uma das questões essenciais para um programa de melhoria de resultados é a necessidade de participação do pessoal-chave da empresa, em todas as etapas do programa! O que equivale a dizer que, desde a constatação sobre a conveniência de um programa assim, até a avaliação do resultado deste (ao final do próximo balanço ou das datas fatais para os objetivos fixados), nossos colaboradores principais precisam ser sensi-bilizados, preparados, motivados, acompanhados e gratificados. Não adianta o dono da empresa, a diretoria ou um consultor, todos bem intencionados, reunir o pessoal e "comunicar" as oportunidades de ganhos de produtividade nas contas do último balanço, "mostrar" os objetivos e "fixar" as metas. Isto não vai funcionar! É uma fantasia improdutiva. Ao final deste trabalho, listaremos algumas dicas de procedimentos práticos, extraídos de diversas experiências reais, para sugerir alternativas de caminhos quanto a este ponto. Mas a premissa da proposta, em relação ao pessoal-chave, é: participação e comprometimento com ações que possam trazer melhorias nos resultados.

Finalmente, outra premissa de um programa deste tipo é o estímulo moral e material que as pessoas devem ter, quando obtiverem ganhos de produtividade por consequência de suas ações, num programa de melhoria de resultados. Modernamente, não existirão empresas bem sucedidas que sejam, ao mesmo tempo, fechadas para seu pessoal-chave e sem dividir com eles seus ganhos de produtividade! Logo, trate de discutir com seus sócios o modelo que sua empresa vai adotar, para distribuição de resultados, porque é inevitável. Mas não seja atropelado pelos fatos! Busque exemplos bem sucedidos para definir o seu caminho e tome a iniciativa. Mas lembre, sempre, que para se chegar ao objetivo de satisfazer os clientes é abso-lutamente necessário que seus colaboradores estejam satisfeitos com aquilo que fazem. Se o clima na empresa é "para baixo" será impossível colocar os clientes "para cima". Na verdade, não colocamos como mais um objetivo a SATISFAÇÃO DOS COLABORADORES, para evitar mais uma área de questionamento. Mas é importante que os empresários meditem a respeito disto e avaliem se sua equipe de colaboradores tem a motivação mínima suficiente para um programa deste fôlego. É evidente que o próprio andamento do programa, por sacudir as pessoas, por criar oportunidades de crescimento pessoal e até melhoria nos rendimentos (por conta de eventuais gratificações por resultados), deverá melhorar o clima da empresa e motivar mais as pessoas. Mas lembre-se que isto não ocorrerá espontâneamente, por conta e obra das circunstâncias. Alguém precisa comandar este processo. Assim, pense bem a respeito do grau de motivação, comprometimento e qualificação de seu pessoal. Talvez seja uma boa oportunidade para modificar o quadro atual...

Empresas pouco lucrativas, por longo período, são empresas que se descapitalizam e, a médio e longo prazo, empresas com sérias chances de desaparecerem ou de ficarem bem para trás no mercado. Estão inúmeros exemplos por aí, ao nosso lado, inclusive...

Porisso mesmo, esta é uma questão de sobrevivência para muitos de nós. Apesar disto, é preciso reconhecer que desenvolver um programa de melhoria de resultados não é uma tarefa fácil e, apesar de muitas empresas necessitarem deste tipo de terapia, talvez não consigam implementá-lo. Por que tanto pessimismo? Porque um programa assim mexe com algumas questões de filosofia de muitas empresas supermercadistas, como os exemplos seguintes:

1) Resultado é um assunto confidencial e é desaconselhável abrir o assunto para muita gente.

Este é um argumento forte, mas não o suficiente para impedir um programa como o que estamos falando aqui. Porque não é preciso abrir o balanço para todos os colaboradores da empresa. Continua-se fazendo apenas para aqueles que já se faz. Sem novidades, portanto. Para um outro grupo, que vamos chamar de pessoal-chave (gerentes, compradores, gerenciadores de seções, etc) pode-se transformar o balanço em números relativos, a exemplo do que se fez na apostila caso não se pretenda "abrir" os números absolutos.

Além disto, o resultado final, como se viu, é produto do desempenho de inúmeros resultados intermediários: satisfação dos clientes, vendas, lucro bruto, despesas, giro de estoques. Pode-se, portanto, melhorar o resultado final enfatizando, em cada área envolvida, apenas um ou mais resultados intermediários. Isto é, para a maioria das pessoas da empresa, será transparente uma ou duas árvores, não o bosque inteiro. Quem tem que gerenciar o processo, como um todo, e afinar os instrumentos é o maestro da orquestra, é a cabeça da empresa!

2) Aumentar o lucro é uma tarefa do empressário!

Quando uma empresa é pequena, o papel do(s) sócio(s),, realmente é decisivo: ele se desdobra em comprador, atendente, operador de caixa, gerenciador de setor, etc. Depois de algum tempo, a empresa cresce e torna-se necessário dividir responsabilidades para continuar tocando. Deste momento, em diante, o "negócio de lucros" passou a ser consequência da ação destas pessoas com as quais já se está dividindo a responsabilidade da operação. Eles, portanto, já estão produzindo resultados (bons ou maus) e é melhor que o façam conscientes, procurando obter o máximo de ganhos, não é verdade? É como entregar um Boing 777 para alguém ser o co-piloto sem saber se ele está habilitado. Pode-se descobrir que não, com algum atraso...

Além disto, voce se surpreenderá com a disposição das pessoas em participar, fazer-se ouvir, opinar e assumir novas responsabilidades.Mas será preciso que você conduza este processo, é claro.

3) É difícil o pessoal se comprometer com um programa de melhoria de resultados.

Isto também é uma verdade. Não é fácil fazer com que as pessoas se comprometam com a empresa, além dos limites óbvios para manter o emprego e, eventualmente, ganhar um aumento. Mas é preciso começar, talvez por aqueles que estão mais próximos da situação ideal. Vamos fazer deles nossos aliados para conquistar outros, posteriormente.

De qualquer maneira, ao participar de um programa destes, as pessoas crescem, sentem-se mais importantes ao compartilhar estas informações, ao serem ouvidas sobre o que e como fazer. Aliás, já se poderia começar, com o núcleo principal, ouvindo-os sobre a conveniência de um programa como o que descrevemos aqui. E também, em caso de interesse deles, em como iniciar, com quem, quando, etc. Divida as tarefas, faça com que tragam sugestões, em tres ou quatro dias, sobre as principais dúvidas surgidas na reunião. Elogie quem tiver maior participação, dê mais responsabilidades a estes. Demonstre que tipo de colaboradores a empresa está precisando. Em suma, dê o primeiro chute...

Bem, existe material bastante para fazer pensar, pelo menos, na possibilidade de se fazer algo para melhorar resultados da empresa. Edite a Apostila e o Manual de Procedimentos Práticos, acrescentando, eliminando, modificando aquilo que achar melhor. Um documento inicial já facilita as coisas para o pessoal entender o que se pretende. Use o vídeo para motivar, sacudir, despertar as pessoas. Experimente!

João Francisco de Pinedo Kasper .............pinedo@supergente.com.br ............comput&vídeo@supergente.com.br

Página Anterior